
Jorge Braga, ex-CEO do Botafogo, que recentemente moveu uma ação judicial contra a SAF para obter a rescisão de contrato, participou de uma entrevista ao canal do Nicola. Jorge evitou comentar sobre o Botafogo, mas disse que “virou a página” e mandou um recado para o torcedor botafoguense.
Jorge Braga no Nicola: veja trechos da entrevista
Jorge Braga e Botafogo estava bem até início do ano, onde o clube virou SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para o norte-americano John Textor e o clima azedou em General Severiano entre o clube e seu até então CEO. Veja alguns trechos a entrevista de Braga ao canal do Nicola, reproduzidas pelo Fogaonet.
Página virada
– Sendo muito honesto, virei a página profissionalmente. Tenho um carinho muito grande pela torcida, um respeito enorme pelo clube, tenho bons amigos que o clube me deu, mas profissionalmente minha cabeça está em outro lugar e tenho procurado evitar falar sobre o Botafogo. Eu e meu time trabalhamos demais para dar essa segunda chance ao Botafogo, sinto muito orgulho de ver o que está acontecendo, mas meu recado para conselheiros, sócios-proprietários e administradores é diferente, porque aumenta a responsabilidade, inclusive à luz da lei. Você tira a paixão e olha os fatos, exige as obrigações para que o torcedor possa se jogar na emoção.
SAF
– O mundo da SAF exige um compliance diferente, exige absoluta transparência com demonstrações financeiras, transações relevantes, transferência de jogador, grandes patrocínios, especialmente se você tem uma plataforma multiclube, em que valor isso foi transferido, exatamente onde ficou o valor dessa transação… Essa é uma obrigação do Conselho Administrativo, do Conselho Fiscal e de quem representa o sócio-minoritário. A SAF tem mais de um dono. Ao torcedor cabe se jogar e torcer, aos conselheiros, adminstradores e gestores, cabe fiscalizar, porque a obrigação é garantir a perenidade. Como qualquer empresa, ela pode trocar de dono a qualquer hora, o dono pode ter boas intenções mas errar a mão, pode falir. Por isso que o gestor não pode se comportar como torcedor na hora de lidar com a SAF.
Futuro
Fui contactado por dois fundos de investimento, também por uma consultoria grande, e estou escolhendo com muito carinho o próximo projeto. Acho que essa indústria é muito grande, vamos ver um ponto de inflexão e isso vai colocar o produto futebol do Brasil no mapa, outras SAFs virão. Nos mercados mais avançados há produtos financeiros com participação de clubes, eventualmente um IPO no futuro, é um mercado muito grande. Existem fundos que querem investir só na Liga, outros que têm apetite de risco… Há apetite para todo produto. Tem fundos brasileiros e estrangeiros olhando esse negócio com muita carinho e calma.















